Por conta da chega de mais um Festival Folclórico de Parintins, apresento, com as devidas alterações por conta do novo contexto, o texto editado do original de título “Parintins para além do Boi Bumbá”, que escrevi ano passado.
Quem vai na ilha tupinambarana após o mês de junho se depara com uma cidade atípica. Parintins conserva fortes traços das cidades do interior do Amazonas com alguns benefícios adquiridos certamente pela visibilidade mundial que ganhou com o espetáculo do Boi.
O município do Caprichoso e do Garantido é, depois de Manaus, o que mais oferece vagas no ensino superior. Lá estão campis da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), da Universidade Estadual do Amazonas (UEA) e do Instituto Federal do Amazonas (IFAM). Até mestrado já tem. Isso a torna município pólo da região do Baixo Amazonas. Para lá se dirigem, anualmente, dezenas de jovens de municípios adjacentes a fim de ingressarem na universidade.
A efervescência de idéias também é um diferencial. Na praça em frente ao bumbódromo, local onde se apresentam as duas agremiações folclóricas, é possível encontrar bancas com venda de livros e revistas. Até livrarias são encontradas em outros pontos da cidade. Na UFAM, existem jovens que lêem, escrevem e falam de haicai. Comparado a municípios próximos, que não consomem nem tira de papel com mensagens bíblicas, isso é espetacular. Em plena selva amazônica, então, nem se fala!
Em 2009, Parintins recebeu o Flifloresta, festival de literatura promovido por uma livraria do estado que leva renomados autores nacional e internacional para discutirem assuntos diversos, lançarem livros, etc. A quantidade de pessoas que participaram das atividades durante o evento e as que qualificaram as discussões surpreenderam os organizadores.
Mas nem só de leituras despretensiosas vivem os parintinenses. Dos 61 municípios do interior do estado, lá é onde as organizações da sociedade civil atuam com mais freqüência. Embora isso ainda não tenha sido suficiente para superar defasagens básicas, as precariedades são enfrentadas com manifestações, jornais populares e enfrentamento social.
Nessa maquete da capital, entretanto, é facilmente perceptível a carência do homem amazônico. A engenhosidade do Boi Bumbá e a forte abstração já presente em centenas de habitantes locais contrastam com a ausência de elementos mínimos para a sobrevivência.
Em vários bairros, multiplicam-se residências de um só compartimento. Muitas casas são de madeiras fincadas em chão de bairro sem preparo algum para aplanar o terreno. A geração de empregos ainda se dá majoritariamente pela prefeitura, que se utiliza disso para frustrar maiores questionamentos públicos.
Os milhares de reais que aportam na cidade por conta da festa dos bois são desconhecidos pela grande maioria da população. Ao povo o saldo que fica é a prostituição de suas crianças, jovens e adolescentes. Bastante fortalecida nos dias do festival. Rotas do tráfico de drogas são consolidadas e novas se criam nesse período do ano. E cresce também o desespero dos profissionais da saúde, que contemplam o aumento de suas demandas sem ter muito o que fazer.
Nesse município, que tem um membro do PSDB à frente da prefeitura e que faz campanha aberta a Arthur Virgilio, cabe uma intervenção pública séria para reverter a realidade local, que nem de longe gera a alegria provocada pela festa dos bois.
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Carta do II BlogProg
Desde o I Encontro Nacional dos Blogueir@s Progressistas, em agosto de 2010, em São Paulo, nosso movimento aumentou a sua capacidade de interferência na luta pela democratização da comunicação, e se tornou protagonista da disseminação de informação crítica ao oligopólio midiático.
Ao mesmo tempo, a blogosfera consolidou-se como um espaço fundamental no cenário político brasileiro. É a blogosfera que tem garantido de fato maior pluralidade e diversidade informativas. Tem sido o contraponto às manipulações dos grupos tradicionais de comunicação, cujos interesses são contrários a liberdade de expressão no país.
Este movimento inovador reúne ativistas digitais e atua em rede, de forma horizontal e democrática, num esforço permanente de construir a unidade na diversidade, sem hierarquias ou centralismo.
Na preparação do II Encontro Nacional, isso ficou evidenciado com a realização de 14 encontros estaduais, que mobilizaram aproximadamente 1.800 ativistas digitais, e serviram para identificar os nossos pontos de unidade e para apontar as nossas próximas batalhas.
O que nos une é a democratização da comunicação no país. Isso somente acontecerá a partir de intensa e eficaz mobilização da sociedade brasileira, que não ocorrerá exclusivamente por conta dos governos ou do Congresso Nacional.
Para o nosso movimento, democratizar a comunicação no Brasil significa, entre outras coisas:
a) Aprovar um novo Marco Regulatório dos meios de comunicação. No governo Lula, o então ministro Franklin Martins preparou um projeto que até o momento não foi tornado público. Nosso movimento exige a divulgação imediata desse documento, para que ele possa ser apreciado e debatido pela sociedade. Defendemos, entre outros pontos, que esse marco regulatório contemple o fim da propriedade cruzada dos meios de comunicação privados no Brasil.
b) Aprovar um Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) que atenda ao interesse público, com internet de alta velocidade para todos os brasileiros. Nos últimos tempos, o governo tem-se mostrado hesitante e tem dado sinais de que pode ceder às pressões dos grandes grupos empresariais de telecomunicações, fragilizando o papel que a Telebrás deveria ter no processo. Manifestamos, ainda, nosso apoio à PEC da Banda Larga que tramita no Congresso Nacional (propõe que se inclua, na Constituição, o acesso à internet de alta velocidade entre os direitos fundamentais do cidadão).
c) Ser contra qualquer tipo de censura ou restrição à internet. No Legislativo, continua em tramitação o projeto do senador tucano Eduardo Azeredo de controle e vigilância sobre a internet – batizado de AI-5 Digital. Ao mesmo tempo, governantes e monopólios de comunicação intensificam a perseguição aos blogueiros em várias partes do país, num processo crescente de censura pela via judicial. A blogosfera progressista repudia essas ações autoritárias. Exige a total neutralidade da rede e lança uma campanha nacional de solidariedade aos blogueiros perseguidos e censurados, estabelecendo como meta a criação de um “Fundo de Apoio Jurídico e Político” aos que forem atacados.
d) Lutar pelo encaminhamento imediato do Marco Civil da Internet, pelo poder executivo, ao Congresso Nacional.
e) Fortalecer o movimento da blogosfera progressista, garantindo o seu caráter plural e democrático. Com o objetivo de descentralizar e enraizar ainda mais o movimento, aprovamos:
- III Encontro Nacional na Bahia, em maio de 2012.
A Comissão Organizadora Nacional passará a contar com 15 integrantes:
- Altamiro Borges, Conceição Lemes, Conceição Oliveira, Eduardo Guimarães, Paulo Henrique Amorim, Renato Rovai e Rodrigo Vianna (que já compunham a comissão anterior);
- Leandro Fortes (representante do grupo que organizou o II Encontro em Brasília);
- um representante da Bahia (a definir), indicado pela comissão organizadora local do III Encontro;
- Tica Moreno (suplente – Julieta Palmeira), representante de gênero;
- e mais um representante de cada região do país, indicados a partir das comissões regionais (Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e Norte). As comissões regionais serão formadas por até dois membros de cada estado, e ficarão responsáveis também por organizar os encontros estaduais e estimular a formação de comissões estaduais e locais.
Os blogueir@s reunidos em Brasília sugerem que, no próximo encontro na Bahia, a Comissão Organizadora Nacional passe por uma ampla renovação.
f) Defender o Movimento Nacional de Democratização da Comunicação, no qual nos incluímos, dando total apoio à luta pela legalização das rádios e TVs comunitárias, e exigindo a distribuição democrática e transparente das concessões dos canais de rádio e TV digital.
g) Democratizar a distribuição de verbas públicas de publicidade, que deve ser baseada não apenas em critérios mercadológicos, mas também em mecanismos que garantam a pluralidade e a diversidade. Estabelecer uma política pública de verbas para blogs.
h) Declarar nosso repúdio às emendas aprovadas na Câmara dos Deputados ao projeto de Lei 4.361/04 (Regulamentação das Lan Houses), principais responsáveis pelos acessos à internet no Brasil, garantindo o acesso à rede de 45 milhões de usuários, segundo a ABCID (Associação Brasileira de Centros de Inclusão Digital).
Brasília, 19 de junho de 2011.
Ao mesmo tempo, a blogosfera consolidou-se como um espaço fundamental no cenário político brasileiro. É a blogosfera que tem garantido de fato maior pluralidade e diversidade informativas. Tem sido o contraponto às manipulações dos grupos tradicionais de comunicação, cujos interesses são contrários a liberdade de expressão no país.
Este movimento inovador reúne ativistas digitais e atua em rede, de forma horizontal e democrática, num esforço permanente de construir a unidade na diversidade, sem hierarquias ou centralismo.
Na preparação do II Encontro Nacional, isso ficou evidenciado com a realização de 14 encontros estaduais, que mobilizaram aproximadamente 1.800 ativistas digitais, e serviram para identificar os nossos pontos de unidade e para apontar as nossas próximas batalhas.
O que nos une é a democratização da comunicação no país. Isso somente acontecerá a partir de intensa e eficaz mobilização da sociedade brasileira, que não ocorrerá exclusivamente por conta dos governos ou do Congresso Nacional.
Para o nosso movimento, democratizar a comunicação no Brasil significa, entre outras coisas:
a) Aprovar um novo Marco Regulatório dos meios de comunicação. No governo Lula, o então ministro Franklin Martins preparou um projeto que até o momento não foi tornado público. Nosso movimento exige a divulgação imediata desse documento, para que ele possa ser apreciado e debatido pela sociedade. Defendemos, entre outros pontos, que esse marco regulatório contemple o fim da propriedade cruzada dos meios de comunicação privados no Brasil.
b) Aprovar um Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) que atenda ao interesse público, com internet de alta velocidade para todos os brasileiros. Nos últimos tempos, o governo tem-se mostrado hesitante e tem dado sinais de que pode ceder às pressões dos grandes grupos empresariais de telecomunicações, fragilizando o papel que a Telebrás deveria ter no processo. Manifestamos, ainda, nosso apoio à PEC da Banda Larga que tramita no Congresso Nacional (propõe que se inclua, na Constituição, o acesso à internet de alta velocidade entre os direitos fundamentais do cidadão).
c) Ser contra qualquer tipo de censura ou restrição à internet. No Legislativo, continua em tramitação o projeto do senador tucano Eduardo Azeredo de controle e vigilância sobre a internet – batizado de AI-5 Digital. Ao mesmo tempo, governantes e monopólios de comunicação intensificam a perseguição aos blogueiros em várias partes do país, num processo crescente de censura pela via judicial. A blogosfera progressista repudia essas ações autoritárias. Exige a total neutralidade da rede e lança uma campanha nacional de solidariedade aos blogueiros perseguidos e censurados, estabelecendo como meta a criação de um “Fundo de Apoio Jurídico e Político” aos que forem atacados.
d) Lutar pelo encaminhamento imediato do Marco Civil da Internet, pelo poder executivo, ao Congresso Nacional.
e) Fortalecer o movimento da blogosfera progressista, garantindo o seu caráter plural e democrático. Com o objetivo de descentralizar e enraizar ainda mais o movimento, aprovamos:
- III Encontro Nacional na Bahia, em maio de 2012.
A Comissão Organizadora Nacional passará a contar com 15 integrantes:
- Altamiro Borges, Conceição Lemes, Conceição Oliveira, Eduardo Guimarães, Paulo Henrique Amorim, Renato Rovai e Rodrigo Vianna (que já compunham a comissão anterior);
- Leandro Fortes (representante do grupo que organizou o II Encontro em Brasília);
- um representante da Bahia (a definir), indicado pela comissão organizadora local do III Encontro;
- Tica Moreno (suplente – Julieta Palmeira), representante de gênero;
- e mais um representante de cada região do país, indicados a partir das comissões regionais (Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e Norte). As comissões regionais serão formadas por até dois membros de cada estado, e ficarão responsáveis também por organizar os encontros estaduais e estimular a formação de comissões estaduais e locais.
Os blogueir@s reunidos em Brasília sugerem que, no próximo encontro na Bahia, a Comissão Organizadora Nacional passe por uma ampla renovação.
f) Defender o Movimento Nacional de Democratização da Comunicação, no qual nos incluímos, dando total apoio à luta pela legalização das rádios e TVs comunitárias, e exigindo a distribuição democrática e transparente das concessões dos canais de rádio e TV digital.
g) Democratizar a distribuição de verbas públicas de publicidade, que deve ser baseada não apenas em critérios mercadológicos, mas também em mecanismos que garantam a pluralidade e a diversidade. Estabelecer uma política pública de verbas para blogs.
h) Declarar nosso repúdio às emendas aprovadas na Câmara dos Deputados ao projeto de Lei 4.361/04 (Regulamentação das Lan Houses), principais responsáveis pelos acessos à internet no Brasil, garantindo o acesso à rede de 45 milhões de usuários, segundo a ABCID (Associação Brasileira de Centros de Inclusão Digital).
Brasília, 19 de junho de 2011.
sexta-feira, 17 de junho de 2011
II Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas
Insistir em causas sociais vale a pena. Cheguei pela quarta vez em Brasília, nesta sexta (17), para participar do II Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas. Na bagagem roupas suficientes para sobreviver esse fim de semana por aqui e muito entusiasmo em acompanhar as discussões. E tristeza, por outro lado, por não ter conseguido viabilizar a vinda de nenhum outro amazonense para participar.
Entre ganhos e revezes, muita coisa para se contar. A mesa de abertura da atividade mostrou o quão relevante tem se tornado a atuação dos usuários de blog’s e redes sociais para horizontalizar a comunicação e o papel que isso tem jogado diante da ditadura midiática dos oligarcas nacionais. Nada menos que o ex-presidente Lula e o atual ministro das comunicações Paulo Bernardo participaram da atividade.
Na platéia, sentado em meio a centenas de outros, ilustres personagens cujas atuações tornaram possível a comunicação entrar na pauta das grandes discussões do país. Os deputados federais Emiliano José (PT-BA), Luiza Erundina (PSB-SP) e Brizola Neto (PDT-RJ), junto com Altamiro Borges, Renato Rovai, Conceição Oliveira, Venicio Lima e outros.
Tudo isso já esperava. Surpresa mesmo foi a recepção que me foi dada por conta da realização do I Encontro Estadual de Ativistas Digitais do Amazonas, realizado dia 28 de maio. Os comentários entusiasmados da @maria_fro repercutiu muito bem na comissão organizadora da atividade nacional. Aproveito para agradecer aos co-realizadores da etapa estadual, sem os quais projeto não sairia das mentes bem intencionadas.
Enquanto isso, vou me preparando para o segundo dia de atividade. Muita discussão deve rolar para aprovarmos um caderno de propostas avançado e que redunde em muita movimentação nos estados. Nós do Amazonas, já estamos prontos para a tarefa!
Entre ganhos e revezes, muita coisa para se contar. A mesa de abertura da atividade mostrou o quão relevante tem se tornado a atuação dos usuários de blog’s e redes sociais para horizontalizar a comunicação e o papel que isso tem jogado diante da ditadura midiática dos oligarcas nacionais. Nada menos que o ex-presidente Lula e o atual ministro das comunicações Paulo Bernardo participaram da atividade.
Na platéia, sentado em meio a centenas de outros, ilustres personagens cujas atuações tornaram possível a comunicação entrar na pauta das grandes discussões do país. Os deputados federais Emiliano José (PT-BA), Luiza Erundina (PSB-SP) e Brizola Neto (PDT-RJ), junto com Altamiro Borges, Renato Rovai, Conceição Oliveira, Venicio Lima e outros.
Tudo isso já esperava. Surpresa mesmo foi a recepção que me foi dada por conta da realização do I Encontro Estadual de Ativistas Digitais do Amazonas, realizado dia 28 de maio. Os comentários entusiasmados da @maria_fro repercutiu muito bem na comissão organizadora da atividade nacional. Aproveito para agradecer aos co-realizadores da etapa estadual, sem os quais projeto não sairia das mentes bem intencionadas.
Enquanto isso, vou me preparando para o segundo dia de atividade. Muita discussão deve rolar para aprovarmos um caderno de propostas avançado e que redunde em muita movimentação nos estados. Nós do Amazonas, já estamos prontos para a tarefa!
sábado, 11 de junho de 2011
O que não dizem sobre Belo Monte
Parte do artigo “Belo Monte, Balbina & Três Gargantas”, de autoria do Secretário de Estado da Produção Rural do Amazonas, Eron Bezerra, publicado em 11.05.2010 – Extraído do livro “Amazônia – Esse mundo à parte”, do mesmo autor.
Belo Monte, Balbina e Três Gargantas – comparativo
Balbina, como exposto acima, foi uma irracionalidade sob todos os sentidos e certamente só foi construída porque na época não havia uma legislação ambiental estruturada. Felizmente algumas das tragédias ambientais que prevíamos não se materializaram, como a “podridão” de seu imenso lago de 2.360 km2 pela decomposição da floresta que sucumbiu. O lago é piscoso e não há qualquer fedor aparente, embora alguns articulistas continuem dizendo o contrário, por ignorância ou má-fé.
Belo Monte, como todos sabem, será a terceira maior hidrelétrica do planeta e a segunda do Brasil. Será superada apenas pela chinesa Três Gargantas, construída no rio Yang-Tsé, que tem potência instalada de 18.299 MW, e pela binacional Itaipu, com 14 mil MW de potência instalada.
Seu projeto original também foi questionado por nós. Os estudos de impacto ambiental, a mobilização popular e mais de 20 anos de questionamento e debates públicos fizeram com que a obra se tornasse tecnicamente defensável.
A área inundada, originalmente prevista, era de 1.250 km2 . Foi reduzida para 516 km2 , o que lhe confere o melhor custo-benefício em termos de impacto ambiental. Comparemos: Balbina precisou inundar 9,44 km2 de área para gerar 1 MW; Itaipu gerou cada MW instalado com apenas 0,096km2 e Belo Monte não precisará de mais do que 0,046 km2 por cada um de seus 11.233 MW de potência instalada.
Os 516 km2 de área inundada da hidrelétrica terão repercussão numa região que abrange cinco municípios (Altamira – o maior do mundo, com quase 160 mil km2 -, Anapu, Brasil Novo, Senador José Porfírio e Vitória do Xingu) e cuja área total é de 195.219,815 km2 , o que significa que apenas 0,26% da área será comprometida. Não creio, honestamente, que isso inviabilize qualquer atividade econômica na região.
Três Gargantas, a gigante chinesa, é a que mais se aproxima de Belo Monte em termos de racionalidade da área inundada e megawatts gerados. Com 18.299 MW de potência instalada e uma área inundada de 1/084 km2 , a relação é de 0,059 km2 inundado para cada megawatt gerado.
Mas as semelhanças param por aí. Enquanto a população removida em Belo Monte será de 20 mil, segundo dados oficiais, na área de Três Gargantas serão removidas mais de 1.2 milhão de pessoas. Nada menos do que 160 vilas e cidades inteiras serão tragadas pelo lago de mais de 600 km de extensão. Sítios arqueológicos milenares terão o mesmo destino. Mas os chineses sabem do caráter estratégico da energia para o desenvolvimento das forças produtivas socialistas ou capitalistas e seguiram em frente com a maior hidrelétrica do planeta.
Como se pode ver, nem todos os povos têm o privilégio , como o Brasil, de buscar o suprimento de energia a um custo ambiental relativamente pequeno quando comparado com os demais exemplos aqui mesmo mencionados.
Belo Monte, Balbina e Três Gargantas – comparativo
Balbina, como exposto acima, foi uma irracionalidade sob todos os sentidos e certamente só foi construída porque na época não havia uma legislação ambiental estruturada. Felizmente algumas das tragédias ambientais que prevíamos não se materializaram, como a “podridão” de seu imenso lago de 2.360 km2 pela decomposição da floresta que sucumbiu. O lago é piscoso e não há qualquer fedor aparente, embora alguns articulistas continuem dizendo o contrário, por ignorância ou má-fé.
Belo Monte, como todos sabem, será a terceira maior hidrelétrica do planeta e a segunda do Brasil. Será superada apenas pela chinesa Três Gargantas, construída no rio Yang-Tsé, que tem potência instalada de 18.299 MW, e pela binacional Itaipu, com 14 mil MW de potência instalada.
Seu projeto original também foi questionado por nós. Os estudos de impacto ambiental, a mobilização popular e mais de 20 anos de questionamento e debates públicos fizeram com que a obra se tornasse tecnicamente defensável.
A área inundada, originalmente prevista, era de 1.250 km2 . Foi reduzida para 516 km2 , o que lhe confere o melhor custo-benefício em termos de impacto ambiental. Comparemos: Balbina precisou inundar 9,44 km2 de área para gerar 1 MW; Itaipu gerou cada MW instalado com apenas 0,096km2 e Belo Monte não precisará de mais do que 0,046 km2 por cada um de seus 11.233 MW de potência instalada.
Os 516 km2 de área inundada da hidrelétrica terão repercussão numa região que abrange cinco municípios (Altamira – o maior do mundo, com quase 160 mil km2 -, Anapu, Brasil Novo, Senador José Porfírio e Vitória do Xingu) e cuja área total é de 195.219,815 km2 , o que significa que apenas 0,26% da área será comprometida. Não creio, honestamente, que isso inviabilize qualquer atividade econômica na região.
Três Gargantas, a gigante chinesa, é a que mais se aproxima de Belo Monte em termos de racionalidade da área inundada e megawatts gerados. Com 18.299 MW de potência instalada e uma área inundada de 1/084 km2 , a relação é de 0,059 km2 inundado para cada megawatt gerado.
Mas as semelhanças param por aí. Enquanto a população removida em Belo Monte será de 20 mil, segundo dados oficiais, na área de Três Gargantas serão removidas mais de 1.2 milhão de pessoas. Nada menos do que 160 vilas e cidades inteiras serão tragadas pelo lago de mais de 600 km de extensão. Sítios arqueológicos milenares terão o mesmo destino. Mas os chineses sabem do caráter estratégico da energia para o desenvolvimento das forças produtivas socialistas ou capitalistas e seguiram em frente com a maior hidrelétrica do planeta.
Como se pode ver, nem todos os povos têm o privilégio , como o Brasil, de buscar o suprimento de energia a um custo ambiental relativamente pequeno quando comparado com os demais exemplos aqui mesmo mencionados.
quinta-feira, 9 de junho de 2011
Novo Hino Nacional
Reproduzo abaixo composição do poeta Manoel Assis, declamada na jornada de luta da UNE e da UBES, em 2007, em Manaus. Quis o rumo da vida que eu o reencontrasse durante a eleição passada, ocasião em que ele pediu meu endereço eletrônico e me enviou sua versão do Hino.
Ouviram do Tietê às margens poluídas
De um povo pobre o grito agonizante,
E as leis da impunidade em parágrafos trágicos,
São aprovadas em Brasília neste instante.
Se o Senhor der-nos igualdade
Conseguiremos construir um país forte,
E em teu nome, ó solidariedade,
Que a fome não nos leve à própria morte!
Ó pátria amarga,
Atrofiada,
Salve-se! Salve-se!
Brasil, um roubo imenso, um caso típico,
Justiça e seriedade o povo pede,
Se em teu famoso congresso, errôneo e fingido,
A imagem da democracia apodrece.
Gigante pela própria esperteza,
Corrupção e farsa é o teu colosso,
E o teu futuro espelha a incerteza.
Terra marcada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó pátria amarga!
Os miseráveis deste solo já são mais de mil,
Pátria amarga,
Brasil!
II PARTE
Dormindo profundamente entre escândalos,
Ao grito da fome e à luz do caos profundo,
Vergonha, ó Brasil porão da América,
Iluminado ao desejo de um novo rumo!
Do que a terra mais sofrida
Teus tristonhos, raros campos não têm flores;
“Nossos desertos não têm vida”,
“Nossa vida” no teu seio “só clamores!”.
Ó pátria amarga,
Atrofiada,
Salve-se! Salve-se!
Brasil, a comida do lixo fez-se um símbolo
O pão que sustenta o favelado,
E diga nunca mais pra esta fórmula
- E que o futuro não repita o passado.
Mas se a voz da injustiça for mais forte,
Veremos jorrar sangue nessa luta,
Teu povo está entregue à própria sorte.
Terra marcada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó pátria amarga!
Os miseráveis deste solo já são mais de mil,
Pátria amarga,
Brasil!
Manoel Assis
O Poeta da Juventude
Ouviram do Tietê às margens poluídas
De um povo pobre o grito agonizante,
E as leis da impunidade em parágrafos trágicos,
São aprovadas em Brasília neste instante.
Se o Senhor der-nos igualdade
Conseguiremos construir um país forte,
E em teu nome, ó solidariedade,
Que a fome não nos leve à própria morte!
Ó pátria amarga,
Atrofiada,
Salve-se! Salve-se!
Brasil, um roubo imenso, um caso típico,
Justiça e seriedade o povo pede,
Se em teu famoso congresso, errôneo e fingido,
A imagem da democracia apodrece.
Gigante pela própria esperteza,
Corrupção e farsa é o teu colosso,
E o teu futuro espelha a incerteza.
Terra marcada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó pátria amarga!
Os miseráveis deste solo já são mais de mil,
Pátria amarga,
Brasil!
II PARTE
Dormindo profundamente entre escândalos,
Ao grito da fome e à luz do caos profundo,
Vergonha, ó Brasil porão da América,
Iluminado ao desejo de um novo rumo!
Do que a terra mais sofrida
Teus tristonhos, raros campos não têm flores;
“Nossos desertos não têm vida”,
“Nossa vida” no teu seio “só clamores!”.
Ó pátria amarga,
Atrofiada,
Salve-se! Salve-se!
Brasil, a comida do lixo fez-se um símbolo
O pão que sustenta o favelado,
E diga nunca mais pra esta fórmula
- E que o futuro não repita o passado.
Mas se a voz da injustiça for mais forte,
Veremos jorrar sangue nessa luta,
Teu povo está entregue à própria sorte.
Terra marcada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó pátria amarga!
Os miseráveis deste solo já são mais de mil,
Pátria amarga,
Brasil!
Manoel Assis
O Poeta da Juventude
Grupo de teatro encena releitura sobre a Ditadura Militar
AI-5, movimento Hippie, clandestinidade, repressão… O ano de 1973 já sinalizava um período crítico e ao mesmo tempo criativo no Brasil. Viviana é uma filha de militar que começa a se relacionar com amigos militantes de esquerda de Leninha, sua melhor amiga. A partir de então há uma transformação de pensamento e atitudes de todos.
É nesse momento do país que a peça “Ainda ontem”, encenada pelo Grupo de Teatro Ação em Cena, apresenta no dia 14 de Junho, no prédio de História da UNINORTE, localizado na rua Frei Lourenço,33, centro, próximo da praça do congresso.
A peça, que será uma das atrações da semana de história da universidade, começa às 19h, com entrada gratuita. A diretora do espetáculo, Taniouska Souza, ressalta a importância de se tratar sobre o assunto: “Ainda existe muito a se falar a respeito de ditadura. O objetivo não é apenas mostrar os fatos que ocorreram nesse período, mas trazer à plateia um pensamento crítico sobre o tema. Os personagens tem ao mesmo tempo uma função artística e didática.”, explica Taniouska.
A pesquisa vai além do questionamento histórico. A música está presente em algumas cenas com uma lista de nomes como Caetano Veloso, Geraldo Vandré e Guilherme Arantes. O figurino, com assinatura de Dione Maciel e Denise Vasconcelos, é outro ponto de destaque.
O espetáculo participou do 6º. Festival de Teatro da Amazônia, realizado em Outubro de 2009. Ao todo foram 6 indicações: melhor figurino, texto,sonosplatia e duas indicações para ator coadjuvante ( Antonio Carlos Junior e Diego Bauer). Além disso recebeu menção honrosa pelo texto e o prêmio de melhor ator coadjuvante para Antonio Carlos Junior.
O grupo retorna em temporada nesse ano e pretende circular por espaços alternativos. Além do elenco renovado a iniciativa pretende apresentações em espaços alternativos e debates sobre o tema. “Ainda Ontem sempre teve como público-alvo estudantes, universitários e público em geral. Pretendemos trabalhar em locais diferentes dos tradicionais palcos da cidade. Queremos ir onde esse público se encontra.” Afirma Taniouska.
Sobre o grupo Ação em Cena
O grupo de Teatro Ação em Cena foi criado há 10 anos e já encenou nos palcos de Manaus clássicos do teatro mundial como os Três Mosqueteiros, de Alexandre Dumas, e Muito Barulho por nada, De William Shakespeare. Das produções próprias já produziu Pássaro canto cativeiro, com a participação do cantor Pereira, Carmen cabocla, adaptação do musical de Prosper Merimé e Ainda Ontem, de autoria de Taniouska Souza, diretora do Grupo.
terça-feira, 7 de junho de 2011
A queda de Palocci e a salvação do governo
O Brasil assistiu, talvez sem saber, a melhor notícia desde o início do governo Dilma. A queda de Antonio Palocci, então titular da Casa Civil, é um indicativo claro de que as peças no tabuleiro do governo podem serem reposicionadas a partir daqui.
Num português dos brasileiros, podemos dizer que o zigue zague da gestão Dilma pode diminuir a frequência com que vinha desestimulando os setores mais avançados que ajudaram a lhe eleger. Para quem não sabe, Palocci é o homem que garantia os interesses de banqueiros, industriários, oligarcas em geral junto ao governo.
A fotografia inicial do governo Dilma mostra o quanto foi forte a intervenção dele nesses meses. Eleita sob a consígna de "Para o Brasil seguir mudando", a primeira mulher presidente da República entrou para o hall das queridinhas do Partido da Imprensa Golpista (PIG) por aplicar o receituário defendido pelos caciques direitistas do PSDB. Cortou investimentos, deu pouca atenção aos movimentos sociais, que só foram recebidos depois de muita mobilização, anunciou a privatização de aeroportos e por aí caminhava.
Tudo isso deixou os apoiadores progressistas de cabelo em pé. Mesmo sabendo que se trata de um governo em disputa, pois reune em sua base de sustentação desde o PCdoB até setores mais conservadores da política nacional, era inevitável a leitura de que o campo popular estava engasgado nesses primeiros meses de novo governo.
A manchete dos telejornais de hoje (7), no entanto, animam. Mas a saída de Palocci por si só não representa nada. Como tudo na vida, alinhar a atual gestão do governo federal diante das necessidades de milhares de brasileiros camponenses, como Adelino Ramos, ribeirinhos amazônicos e milhares de populares que a elegeram precisa ser construído. Partidos de esquerda e movimentos sociais precisam empreender uma agenda brusca para pautar suas demandas e infiltrá-las na agenda pública, de modo que venham ser atentidas pelos membros do executivo.
Avante, queridos. Essa é a nossa parcela de contribuição para nós mesmos!
Num português dos brasileiros, podemos dizer que o zigue zague da gestão Dilma pode diminuir a frequência com que vinha desestimulando os setores mais avançados que ajudaram a lhe eleger. Para quem não sabe, Palocci é o homem que garantia os interesses de banqueiros, industriários, oligarcas em geral junto ao governo.
A fotografia inicial do governo Dilma mostra o quanto foi forte a intervenção dele nesses meses. Eleita sob a consígna de "Para o Brasil seguir mudando", a primeira mulher presidente da República entrou para o hall das queridinhas do Partido da Imprensa Golpista (PIG) por aplicar o receituário defendido pelos caciques direitistas do PSDB. Cortou investimentos, deu pouca atenção aos movimentos sociais, que só foram recebidos depois de muita mobilização, anunciou a privatização de aeroportos e por aí caminhava.
Tudo isso deixou os apoiadores progressistas de cabelo em pé. Mesmo sabendo que se trata de um governo em disputa, pois reune em sua base de sustentação desde o PCdoB até setores mais conservadores da política nacional, era inevitável a leitura de que o campo popular estava engasgado nesses primeiros meses de novo governo.
A manchete dos telejornais de hoje (7), no entanto, animam. Mas a saída de Palocci por si só não representa nada. Como tudo na vida, alinhar a atual gestão do governo federal diante das necessidades de milhares de brasileiros camponenses, como Adelino Ramos, ribeirinhos amazônicos e milhares de populares que a elegeram precisa ser construído. Partidos de esquerda e movimentos sociais precisam empreender uma agenda brusca para pautar suas demandas e infiltrá-las na agenda pública, de modo que venham ser atentidas pelos membros do executivo.
Avante, queridos. Essa é a nossa parcela de contribuição para nós mesmos!
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