terça-feira, 6 de março de 2012

Sou jovem, MULHER, sou da UNE!




Reproduzo abaixo excelente artido da Diretora de Cultura da União Nacional dos Estudantes (UNE), Maria das Neves (foto acima), sobre a condição das mulheres nas atuais contradições da sociedade. (Extraído do site www.une.org.br)



A UNE nunca se furtou a realizar os grandes debates nacionais e a lutar lado a lado dos segmentos historicamente taxados como “minorias”, como as mulheres. Porém, essa dita “minoria” só se expressa na ocupação dos espaços de poder, pois a mulher brasileira representa mais de 50% do eleitorado, ocupamos 55,1% das vagas do ensino superior presencial e 69% das vagas de ensino a distância. A base da UNE é massivamente feminina! Portanto a luta das mulheres também é a luta da UNE.

MULHER NA UNIVERSIDADE: CRECHE JÁ!

Para muitas mulheres o sonho de fazer um curso superior já chegou, mas permanecer na universidade é um desafio cotidiano. Uma parcela significa das jovens que estão na universidade ou fora dela são mães e afirmam: a falta de creches dificulta a permanência na universidade. O resultado disso é uma disputa cada vez mais desigual no mercado de trabalho. Apesar da presença da mulher continua crescendo no mercado formal de trabalho, mas permanece a desigualdade salarial entre homens e mulheres, mesmo entre os mais escolarizados.

A creche é para as mulheres brasileiras não apenas uma bandeira justa, mas necessária para sua emancipação. Atualmente, menos de 20% das crianças até 3 anos têm acesso a esse serviço no país. A UNE deve engrossar o coro por esta conquista e incluir como uma proposta de assistência estudantil. As mulheres representam 53,6% da PEA (População Economicamente Ativa), portanto assegurar a permanência da mulher na universidade é contribuir com o desenvolvimento do Brasil.

8 DE MARÇO E A CRISE

A crise internacional do capitalismo acentua as desigualdades sociais e entre tantos malefícios levam a precarização dos salários, relegando as mulher sua mais dura face. No Brasil, apesar dos avanços e de termos uma mulher no comando central do país chegando a uma década de governos progressistas, muito ainda precisa ser feito para de fato empoderar as mulheres. Igualdade salarial, maior participação na política e o combate a violência contra a mulher são alguns dos desafios.

O corte no orçamento de 55 bilhões anunciados pelo governo vão na contra mão do desenvolvimento nacional, impactando diretamente em áreas estratégicas como a educação, que em 2011 e 2012 sofreu um corte de 3,1 bilhões e 1,9 bilhões respectivamente. O governo anunciou, por exemplo, a construção de 6.427 creches até 2014. Em 2011, nenhuma unidade foi entregue! #CrecheJá

ELEIÇÕES 2012: LUGAR DE MULHER É NA POLÍTICA!

As mulheres representam 52% do eleitorado brasileiro, mas sua presença no parlamento não corresponde a essa realidade. Na Câmara dos Deputados, as mulheres representam 8,7% do total de 513 cadeiras, no Senado apenas 12 mulheres de 81 vagas. Em 2008, nas eleições municipais apenas 6.508 foram eleitas para as câmaras contra 45.498 e das 5.530 prefeituras do país, somente 506 foram ocupadas por mulheres. Este é o ano que de começar a virada!

A violência contra a mulher e a falta de creches, são alguns dos problemas que mais atingem as mulheres na maioria das cidades brasileiras. Segundo levantamento da SPM, de cada dez mulheres no Brasil, quatro já foram vítimas de violência contra a mulher. A Lei Maria da Penha foi uma grande conquista. Mas, assegurar sua efetivação é garantir a implementação de equipamentos como a criação das delegacias da mulher, das varas especializadas em crimes contra a mulher, das casas abrigos e centros de referência para receber a mulher vitimada e reinseri-la na sociedade.

Vamos mudar essa realidade e a cara das cidades brasileiras elegendo mulheres comprometidas com o projeto nacional de desenvolvimento e com políticas públicas para as mulheres.

É hora de virar esse jogo, mulher seu lugar é na política!

REFORMA POLÍTICA

Este ano comemoráramos 80 anos da conquista do voto feminino. Mas, só uma Reforma Política democrática pode assegurar uma maior participação da mulher no parlamento. É necessário avançarmos no debate, sobre um sistema de lista fechada com alternância dos nomes entre homens e mulheres e financiamento público de campanha. Hoje se quer os 5% do fundo partidário que deveriam ser aplicados para a formação de mulheres são investidos corretamente. Muitos partidos ainda tratam as candidaturas femininas como “laranjas” apenas para cumprir as cotas não garantindo a viabilidade dessas candidaturas.

A UNE marchará lado a lado dos movimentos de mulheres enraizando essa luta dentro de cada universidade. E unindo nossas vozes em um só coro alcançaremos muitas vitórias. Construir uma sociedade justa, igualitária e livre de todas as formas de opressão também é uma luta nossa!

Por que Sou jovem, MULHER sou da UNE!


* Maria das Neves é Diretora de Cultura da UNE, membro do Conselho Nacional de Juventude e coordenadora de jovens mulheres da UBM.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Ismael Cardoso: Terá fim “El baile rojo” na Colômbia?


Publico artigo do meu companheiro e secretário nacional de comunicação da UJS, Ismael Cardoso (foto acima), sobre a atuação das FARC na Colômbia.

Obs: Extraído do Portal Vermelho


Nota oficial das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo (FARC-EP), foi divulgada no dia 27 de fevereiro, nela consta a entrega dos últimos seqüestrados civis do movimento guerrilheiro.

Por Ismael Cardoso*

Não entrarei nos porquês da existência de uma guerrilha no território colombiano. As motivações são iguais a todos os movimentos guerrilheiros que pipocaram no século passado no mundo: a luta pela libertação popular, esta é a causa sui generis. Entretanto não faço aqui uma defesa do movimento guerrilheiro, o que a Colômbia precisa é de paz para que seu povo possa seguir o caminho do desenvolvimento e independência que vive outros países da América Latina.

As tentativas de negociar a paz

Não é de hoje que ocorrem tentativas de uma paz negociada, onde os guerrilheiros entregam suas armas e retornam a legalidade. Entretanto, sempre que entregaram suas armas foram cruelmente chacinados.

No governo de Belisário Betancur (1982-1986) iniciaram-se as negociações entre o Estado e os diversos movimentos guerrilheiros. Estas negociações fracassaram e em 1992 o governo declarou guerra integral.

No governo de Andrés Pastrana (1998-2002) as negociações de paz ganharam mais concretude. Pastrana chegou a defender ações avançadas, ele dividiu o drama colombiano da seguinte maneira: de um lado camponeses pobres — que como em todo país andino tem a cultura do plantio de coca — sem alternativa por falta de projetos estatais, de outro lado os verdadeiros traficantes que compram a folha de coca e realizam todo processo de produção da cocaína e, por último, uma guerrilha ideológica. Por tanto, para Pastrana a atuação governamental deveria ocorrer no primeiro caso com incentivo a criação de alternativas aos camponeses, no segundo caso combatendo os traficantes e, em terceiro lugar uma negociação política para que os guerrilheiros entregassem as armas.

“Me refiero a la decisión... de viabilizar la alternatividad productiva... esa erradicación debe complementarse com una estrategia consensuada entre la insurgencia, la comunidad internacional y el Estado colombiano.” [1]

Pastrana foi devidamente enquadrado pelo EUA através do “Plano Colômbia”. A partir de então o termo a ser usado seria “narcoguerrilha”, colocando em pé de igualdade a ser combatido, tanto os camponeses produtores, como os guerrilheiros.

O plano Colômbia tem metas muito duvidosas. Por exemplo: “82% de la ayuda militar de EUA va dirigido a golpear a los cultivadores que participan del 0,67% de precio de venta de las calles de Frankfurt y uma insurgencia que beneficia del 1% del jugoso volumen aprovechado por las organizaciones del narcotráfico. Qué sucede entoces, perguntamos, com el crimen organizado que se beneficia del 99% del capital exportador de cocaína?” [2].

Outro aspecto estranho no plano Colômbia é a possibilidade do presidente dos EUA poder deslocar, sem consulta ao congresso nacional, qualquer número de tropas naquela região, caso considere alguma ameaça grave a suas bases já instaladas no território.

A operação Baile Rojo

Em 1985 nos marcos do diálogo das Farc com o governo de Belisário Betancur, fundou-se a União Patriótica (UP), um partido político legalizado, onde ingressaram todas as lideranças guerrilheiras sem armas, pois, tiveram garantias do Estado colombiano de sua integridade física. Parecia nascer neste momento a solução definitiva dos conflitos na Colômbia.

A União Patriótica foi às ruas e participou das eleições de 1986. Alcançaram êxitos jamais conseguidos por nenhuma força de oposição, elegeram 12 deputados, nove congressistas, 14 prefeitos e 350 conselheiros nacionais, entre os deputados, elegeram-se dois comandantes das Farc que haviam entregado as armas.

Passadas as eleições começa a ser executado um plano que seria denunciado no âmbito internacional, chamado El baile rojo. Consistia em assassinar todos os membros da UP que haviam sido eleitos naquele ano de 1986. Ao final do ano de 1989 haviam sido assassinados dois candidatos a presidente, Jaime Pardo Leal (1986) e Bernardo Jaramillo (1989), oito congressistas, 11 prefeitos e milhares de seus militantes.

Não poderia haver outra consequência para tamanha atrocidade: os guerrielheiros que haviam abandonados suas armas voltaram para as matas e o conflito se reiniciou com toda força e brutalidade.

O massacre permanece

No final do ano de 2011, tive a honra de representar a UJS no congresso da Juventude Comunista Colombiana (Juco) e me impressionou um ato que devia ser uma homenagem aos militantes da Juco que saiam do trabalho de juventude naquele congresso e passariam ao trabalho partidário, no Partido Comunista Colombiano (PCC), entretanto, o ato se transformou numa emocionante homenagem aos últimos militantes da Juco que haviam sido assassinados, entre eles, uma jovem de apenas de 16 anos de idade! Pergunto, “El baile rojo” terminou?

A verdade é que o governo colombiano não tem interesse na paz, com o argumento da “narcoguerrilha”, ampliam o massacre as forças de esquerda — diga-se de passagem que o PCC é um partido legalizado, mas, isso não impede o governo de matar seus militantes — e, no limite, não podem permitir que uma corrente política tão poderosa, que num suspiro de liberdade pôde eleger tantos parlamentares e que ganhou a simpatia do povo com seus candidatos a presidente, atue de maneira livre. Este é um risco que eles não querem correr.

Os países da América Latina precisam participar decididamente das negociações de paz, caso contrário, o massacre continuará, dando argumento para ampliação das bases militares estadunidenses em nosso continente. Como se diz na Juco: “por nossos mortos nenhum minuto de silêncio, mas, uma vida inteira de lutas”.

* Pastrana, Andrés. El plan Colômbia: uma Gran Alianza com el Mundo contra el delito Interncional, por los Derechos Humanos, los Derechos Sociales e por la Ecología. 22 de outubro de 1998.

** Cycedo, Jaime. Paz democrática y emancipación. Colômbia em la hora latinoamericana. Presidente de Partido Comunista Colombiano

*Ismael Cardoso é secretário nacional de Comunicação da UJS

Uma definição sobre o papel da blogosfera progressista




Durante solenidade de lançamento da sede do Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé, o presidente da organização, Altamiro Borges (foto acima), concedeu entrevista ao Portal Vermelho e tratou sobre assuntos diversos relacionados à luta pela democratização da mídia. Na oportunidade, apontou os ganhos e os limites da blogosfera progressista, que tem jogado papel fundamental para dinamizar a publicação de fatos e opiniões na sociedade. Confira abaixo o trecho da entrevista:



Vermelho - Agora essa coisa da hegemonia, da mídia tradicional, ela é muito alavancada pela publicidade, já que a mídia alternativa vem crescendo muito. Você acha que existe uma trincheira da publicidade. O mercado publicitário é que segura a mídia como ela é hoje, no formato broadcast?.

AB - Eu acho que estamos vivendo uma situação contraditória. Essa chamada mídia tradicional, a velha mídia, ainda tem muita força. Quando a Rede Globo decide, por exemplo, dar uma cutucada no Ricardo Teixeira e aí vira um escândalo. Ela tem muita força no sentido de fazer a cabeça das pessoas na informação e nos comportamentos. A mídia cria moda. O que sai no BBB (Big Brother Brasil, da Globo) vira moda. Eu não sou daqueles que acreditam que a mídia tradicional está em flanco declínio, morrendo. Não. Ela ainda tem um poder violentíssimo em tudo. Jornais conseguem pautar as rádios e TVs, e estas, enquanto comunicação de massa, mexe com milhões de pessoas. As novas tecnologias de informação criaram uma brecha. Permitiram uma guerrilha informativa onde sites, blogueiros e pessoas nas redes sociais se mobilizam. E é o que somos perto da mídia tradicional,que é o exército regular. Estamos praticamente de tacape. Mas já incomodamos e cria uma certa crise de modelo de negócios dessa mídia tradicional, que está perdendo. Recentemente faliu mais um jornal público na Europa. Já há um processo de queda de tiragem dos jornalões e há um processo de migrações nas televisões, principalmente entre a juventude que está trocando a TV pela internet. Isso cria uma brecha, que também não é totalmente ocuapda pela gente. É ocupada por eles. A editora abril, por exemplo, o portal está mais forte do que as revistas. Sabe quantos visitantes únicos tem a Veja? Cinco milhões e 800 mil visitantes únicos. Nós não concorremos com isso. Não é que as novas tecnologias vieram e eles viraram as costas. Pelo contrário. Por isso que digo que essa guerrilha ainda é muito pequena. Mas, é muito melhor do que antes para a mídia alternativa, porque antes eles tinham tudo. Existem algumas ocupações nesse latifúndio midiático. Agora, nós vamos ter que crescer muito. Isso tem a ver com mudança de legislação. Por isso é tão importante debater o marco regulatório. Terá que mexer nas estruturas, como a questão da publicidade. Em alguns países, fruto pela própria luta contra o nazifacismo , durante a segunda guerra mundial, você tem em alguns países estímulos à diversidade e pluralidade informativa, na publicidade. Na Itália, por exemplo, 20% da verba destinada pelo governo à publicidade, é dedicada a estimular a diversidade informativa. Se tivéssemos no Brasil, a verba oficial do governo federal é R$ 1 bilhão e 400 milhões, ou seja, seriam R$ 280 milhões de reais para Vermelho, Carta Maior, etc... algo parecido com o que já acontece com o mercado de livros didáticos no país. E isso tem relação direta com mudança na legislação.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

UJS-AM convoca X Congresso Estadual após curso de formação



Entre os dias 24 e 26 de fevereiro, a União da Juventude Socialista (UJS) no Amazonas realizou seu curso básico de formação política e a plenária estadual da organização, que teve a finalidade de convocar o X Congresso Estadual dos jovens socialistas e aprovar ajustes na direção. Cerca de 100 jovens compareceram na chácara Graça e Paz, na Vivenda do Pontal, para participar da atividade, prestigiada ainda pelo secretário nacional de juventude do PCdoB, Julio Velozo, pela secretária nacional de organização da UJS, Monique Lemos, pela secretária de Estado da Juventude, Esporte e Lazer, Alessandra Campelo, pela vereadora Lúcia Antony (PCdoB) dentre outros.

A qualidade dos expositores das aulas elevou o objetivo dos organizadores de ministrar conceitos básicos de marxismo, socialismo e Brasil. Os dirigentes do PCdoB-AM, Antonio Levino e Aldemir Caetano abriram a programação com o tema “Os desafios do novo Brasil”, oportunidade na qual destacaram quais serão os desafios da geração que os assistia. A aula “A luta pelo socialismo no século XXI” foi ministrada por Júlio Velozo, seguido pelo secretário municipal de juventude do PCdoB, Cleber Ferreira, que abordou a “Filosofia Marxista”.

Incrementado pela curiosidade dos participantes, cada uma das aulas foram enriquecidas com os questionamentos dos “militantes-alunos”. O público composto por ativistas dos movimentos estudantis universitário e secundarista, LGBT, jovens mulheres e democratização da mídia de Manaus, Coari, Itacoatiara, Manacapuru e Rio Preto da Eva esgarçaram cada um dos temas abordados com bastante embasamento.

Emoção e ousadia marcam plenária estadual

Realizada para convocar o X Congresso Estadual da UJS e aprovar ajustes na direção executiva estadual, a plenária, ocorrida no domingo (26), teve como principal ingrediente a emoção pela despedida de Bruno Correa, que presidiu a UJS no Amazonas durante cinco anos e seis meses e se tornou a maior referência para a atual geração de militantes.

Sob lágrimas, suas e de muitos que o ouviam, Bruno resgatou o início de sua militância e apontou o crescimento da UJS desde então. “Nas primeiras manifestações que participei, comemorávamos o fato de reunir cinco escolas. E quando lembro as últimas que construímos, com 10 e 20 mil pessoas, vejo o quanto avançamos”, destacou, sem esquecer de cada uma das pessoas que o acompanharam ao longo dessa trajetória.

Com a saída de Correa, os militantes aprovaram o ex-presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), Yann Evanovick, como o novo presidente estadual da UJS. A data do congresso ficou marcada para 18 e 19 de maio e até lá cada um militante se esforçará para dobrar a meta apresentada pela direção nacional: 5 mil filiados no estado.

O novo presidente dedicou o desafio ao seu antecessor. “Bruno, a melhor maneira de o homenagearmos é construir uma UJS ainda mais forte do que a você nos entrega. E sabemos que isso não é fácil, já que, dentre outros grandes feitos que conseguimos com a sua condução, hoje dirigimos todas as entidades gerais do movimento estudantil”, afirmou Yann.

A direção municipal de Manaus também sofreu alterações. A presidente da UMES, Priscila Duarte, passa a presidir a UJS na capital e terá como desafio construir o congresso da organização na cidade no dia 5 de maio.


De Manaus,
Anderson Bahia

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Desfile de carnaval abre comemorações dos 90 anos do PCdoB no AM




O desfile das escolas de samba do grupo de acesso em Manaus marcou, ontem (17), o início das comemorações dos 90 anos do PCdoB, no Amazonas. O Grêmio Recreativo Escola de Samba Ipixuna levou para avenida o enredo “A Ipixuna a mais de mil, dá vivas ao Partido Comunista do Brasil”. No carro abre-alas, a vereadora Lúcia Antony e o ex-presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), Yann Evanovick, desfilaram como destaques.

Aproximadamente 1.200 brincantes desfilaram pela escola. Alas como a do “Petróleo é nosso”, “Proletariado”, “UJS”, “UBM” e “CTB” foram os instrumentos utilizados para narrar a contribuição dos comunistas no Brasil e as entidades que foram parceiras nessas empreitadas.

O samba-enredo que agitou a avenida foi à altura da história do partido. Resgatou o contexto no qual a agremiação partidária foi fundada, com ênfase na Semana de Arte Moderna de 1922, ao movimento dos caras-pintadas, passando pela Guerrilha do Araguaia e o jornal Tribuna Operária, sob cujo nome os comunistas disfarçavam sua atuação no Amazonas durante a Ditadura Militar.

O carnavalesco da Ipixuna e também militante do PCdoB ressaltou a importância de contar a história do partido por outro viés. “Narrar a história do partido num samba-enredo e no desfile é diferente de tudo que a gente já fez até aqui. Porque nos leva a ter a poesia como fio-condutor dessa narrativa”, disse Bosco “das Letras”.

Os presidentes estadual e municipal de Manaus do PCdoB, Edilon Queiroz e Anderson Souza, respectivamente, acrescentaram seus olhares. “Essa foi a forma que começamos a comemorar o aniversário de 90 anos do PCdoB aqui. Mas haverá duas grandes atividades nacionais: uma bela festa no Rio de Janeiro, em 24 de março, e uma grande atividade, dia 26 do mesmo mês, em Brasília”, informou Edilon. “O samba é a maior expressão da cultura brasileira. E dá início aos 90 anos do PCdoB dessa forma é devolver a sociedade o que ela permitiu nos tornarmos: mais um elemento da cultura desse país”, completou Souza.

Carnavais politizados

Essa não foi a primeira iniciativa que mesclou carnaval e política progressista em Manaus. Nos últimos anos, a mesma Ipixuna e a escola de samba do grupo especial Grande Família abriram mão dessa receita. A primeira apresentou o enredo “Juventude Socialista”, em 2007, e a segunda venceu o carnaval de 2009 com o tema “Venezuela: de Bolívar, o Libertador, ao Petróleo que move o mundo”.

De Manaus,
Anderson Bahia

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

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Movimentos sociais condenam desfecho do caso Adelino Ramos

Extraído do Instituto Adelino Ramos

O juiz de Direito José Gonçalves da Silva Filho, da 2ª Vara do Tribunal do Júri de Porto Velho, determinou a extinção do processo contra o madeireiro Osias Vicente, 40, acusado de matar o líder camponês Dinho do MCC, em maio do ano passado.

Osias foi morto a tiros há 3 semanas por desconhecidos quando trabalhava em uma oficina no distrito de Vista Alegre do Abunã (a 150 quilômetros de Porto Velho), mesma localidade onde ele matou Dinho do MCC. Osias saiu a cadeia uma semana antes de ser morto.

Segundo Parecer do Ministério Público de Rondônia, houve prescrição do crime devido a morte do acusado, e não há outra medida a ser tomada senão pedir a extinção da punibilidade do madeireiro.

SENSAÇÃO DE INJUSTIÇA

O presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), Francisco Batista Pantera, visivelmente frustrado, disse que “Adelino Ramos foi assassinado duas vezes: a primeira, quando foi morto brutalmente; a segunda, quando a Justiça resolveu arquivar o processo contra o pistoleiro que o matou”. Para Pantera, ao soltar o acusado alegando falta de provas, a Justiça pré-determinou o desfecho sem um final esclarecedor. Segundo o dirigente da entidade trabalhista, tanto para a sociedade, quanto para a família de Adelino (Dinho) – mesmo com a morte do acusado –, fica a sensação maior de impunidade. Adelino Ramos era Secretário de Assuntos Agrários da CTB Rondônia e foi um dos fundadores da CTB Nacional. No último dia 9 de dezembro, o juiz José Gonçalves da Silva Filho opinou que Osias já havia passado seis meses na prisão sem que fosse concluída a instrução criminal, ou seja, o encaminhamento das evidências contra o réu, e por isso deveria ser solto, sem que houvesse risco para as testemunhas.

“Não há indícios de que o réu pretenda se furtar à persecução criminal, nem que a instrução seja de qualquer forma ameaçada”, anotou Silva Filho em sua decisão.

Veja abaixo a decisão que determinou o arquivamento do processo contra o matador de Adelino:

Proc.: 0007479-27. 2011. 8. 22. 0501
Ação: Ação Penal de Competência do Júri (Réu Preso)
Autor: Ministério Público do Estado de Rondônia
Réu: Osias Vicente
SENTENÇA: VISTOS, etc. No curso do processo, sobreveio a notícia de morte do acusado OSIAS VICENTE, comprovada pela certidão de óbito de fl. 658, tudo consoante prescreve o art. 62 do Código de Processo Penal. O Ministério Público emitiu parecer nos autos e pediu a extinção da punibilidade em virtude da morte do acusado (fl. 659). Em face do exposto e nos termos do art. 107, I, do Código Penal, declaro extinta a punibilidade do acusado OSIAS VICENTE. Feitas as comunicações de praxe, arquive-se. Extraia-se cópia integral dos autos e encaminhe-se à Delegacia de Policia para fins de instruir o Inquérito Policial n. 0010451-67. 2011. 8. 22. 0501.
P. R. I. Porto Velho-RO, quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012.
José Gonçalves da Silva Filho
Juiz de Direito
“Foi assassinado duas vezes. Primeiro, quando tiraram a vida dele. Segunda, quando se arquivou o processo sobre o seu assassinato”.

A própria Polícia disse que foi queima de arquivo. Se foi, é porque o sujeito já tinha ficha criminal corrida. Para o dirigente, o que alimenta a violência no campo é justamente a impunidade. Adelino foi assassinato defendendo o patrimônio do Estado brasileiro. Quando estava no sul do Amazonas, havia um verdadeiro saque de extração ilegal de madeira na região. O próprio Adelino já tinha denunciado as constantes ameaças de morte.