domingo, 6 de novembro de 2011

Com a contribuição da blogosfera, autor de “Dinho, herói da Amazônia” publica obra

Conversei neste sábado (5) com José Barbosa, personagem da entrevista que publicamos aqui no dia 12 de outubro. E que 10 minutos de conversa! Tempo suficiente para identificar a capacidade da blogosfera em interferir na agenda pública do estado. Até aquele dia do mês passado, o autor de “Dinho, herói da Amazônia” era só idéias e algumas portas fechadas. Nesse fim de semana, pasmem, ele aproveita a realização da Conferência Estadual do PCdoB e convida para o lançamento do livro, que, já divulgo, ocorrerá dia 27 desse mês, a partir das 9h, no Parque da Expoagro.

Antes de levar seus futuros leitores a virarem página por página, ele mesmo teve de fazer isso para publicá-la. Venceu a resistência de editoras locais, temerosas pela polêmica abordada no livro e pelas perseguições que ele sofre, e foi recebido pela BK Editora. Por meio da entrevista inclusive, o aproximamos dos responsáveis pelo “Institucional Adelino Ramos”, sediado em São Paulo. “Eles queriam que eu tivesse lá hoje, mas por conta dos compromissos aqui não deu”, disse ele.

Agora, está definido. O lançamento sairá da forma como planejou: na data em que se faz 6 meses do assassinato do líder camponês e com um ato político para cobrar celeridade da justiça na punição aos assassinos.

Em plena efervescência na produção literária, ele divulga a atividade ao mesmo tempo em que oferece o “Chapada – Do Ceará à Amazônia”, lançado no aniversário de Manaus, 24 de outubro, e no qual narra a viagem de 18 dias de 1.300 cearenses para chegar aqui, se instalar e edificar o bairro homônimo. Essa obra também foi publicada pela BK e está à venda em livrarias e bancas.

Parabéns ao bravo, aguerrido e inquieto escritor José Barbosa!

sábado, 5 de novembro de 2011

Nem a mídia local nem a direita escondem: querem enfraquecer a ZFM




Se pudor fosse algo presente entre os donos do Partido da Imprensa Golpista (PIG) do estado, certamente eles estariam em crise moral por esses dias. O fim do mês de outubro foi fatal para os agentes midiáticos que durante meses propagaram falácias sobre o trato do governo Dilma e seus aliados locais com a Zona Franca de Manaus (ZFM). No aniversário da capital do Amazonas, a presidente tirou a máscara da direita e demarcou claramente a fronteira que separa governo e oposição sobre o modelo de desenvolvimento econômico da região.

Durante a cerimônia de entrega da Ponte sobre o Rio Negro, Dilma assinou a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) reivindicada pelo governador Omar Aziz (PSD) e os senadores Vanessa Grazziotin (PCdoB) e Eduardo Braga (PMDB), cujo texto estipula a prorrogação da ZFM por 50 anos e a extensão de seus benefícios para a Região Metropolitana de Manaus. Pautado ainda durante a campanha eleitoral de 2010, o projeto tende a catapultar o já aquecido mercado local e interiorizar a geração de empregos, uma demanda secular praticamente.

A partir disso, o que se vê são os partidos conservadores ignorarem toda a dissimulação utilizada até aqui e partirem para o ataque frontal. A forma que eles utilizaram para protelar a PEC foi retirar da gaveta uma de suas Medidas Provisórias (MP’s) que já tramita há algum tempo no Congresso Nacional: a da Música, que pretende abrir para todas as regiões do país os benefícios fiscais para a produção de CD’s e DVD’s. Combatida pela senadora Vanessa desde quando era deputada federal, a MP deixará cerca de 7 mil pessoas que operam a fabricação de tais produtos no Pólo Industrial de Manaus (PIM) desempregados, já que a equiparação de isenções fiscais para todo Brasil levará as empresas a migrarem naturalmente para os grandes centros consumidores do país, leia-se: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e outros.

Se já não engoliram terem de noticiar a iniciativa de Dilma, pior ainda ficaram os militantes do PIG baré tendo de dizer que a tal MP é de autoria de Otavio Leite, deputado federal do Rio de Janeiro pelo PSDB de seus aliados Arthur Virgilio Neto e José Serra. O desespero não é para menos. Durante vários meses, as viúvas midiáticas dos tucanos engajaram-se numa campanha sem medidas para desmoralizar Vanessa e a maioria dos membros da bancada amazonense em Brasília. Articulistas de um jornal que estamparam Serra na capa de uma edição dominical despejaram termos como “bancada débil” e “submissa a Dilma”. Mas enlouqueceram com o anúncio recente da presidente.

Um apresentador da afiliada da Globo chegou a dizer que isso poderia demorar anos para ser aprovada e deve se contorcer a cada vez que anunciam os esforços em aprovar a PEC ainda esse ano.

Como já demonstraram possuir uma pequena reserva de moral, resta ao PIG exercer o direito que seus amiguinhos já cansaram de usufruir depois da eleição do ano passado: o de espernear!

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Eu, o SUS, a ironia e o mau gosto

Por Nina Crintzs, no blog www.purplesofa.wordpress.com

Há seis anos atrás eu tive uma dor no olho. Só que a dor no olho era, na verdade, no nervo ótico, que faz parte do sistema nervoso. O meu nervo ótico estava inflamado, e era uma inflamação característica de um processo desmielinizante. Mais tarde eu descobri que a mielina é uma camada de gordura que envolve as células nervosas e que é responsável por passar os estímulos elétricos de uma célula para a outra. Eu descobri também que esta inflamação era causada pelo meu próprio sistema imunológico que, inexplicavelmente, passou a identificar a mielina como um corpo estranho e começou a atacá-la. Em poucas palavras: eu descobri, em detalhes, como se dá uma doença-auto imune no sistema nervoso central. Esta, específica, chama-se Esclerose Múltipla. É o que eu tenho. Há seis anos.

Os médicos sabem tudo sobre o coração e quase nada sobre o cérebro – na minha humilde opinião. Ninguém sabe dizer porque a Esclerose Múltipla se manifesta. Não é uma doença genética. Não tem a ver com estilo de vida, hábitos, vícios. Sabe-se, por mera observação estatística, que mulheres jovens e caucasianas estão mais propensas a desenvolver a doença. Eu tinha 26 anos. Right on target.

Mil médicos diferentes passaram pela minha vida desde então. Uma via crucis de perguntas sem respostas. O plano de saúde, caro, pago religiosamente desde sempre, não cobria os especialistas mais especialistas que os outros. Fui em todos – TODOS – os neurologistas famosos – sim, porque tem disso, médico famoso – e, um por um, eles viam meus exames, confirmavam o diagnóstico, discutiam os mesmos tratamentos e confirmavam que cura, não tem. Minha mãe é uma heroína – mãos dadas comigo o tempo todo, segurando para não chorar. Ela mesma mais destruída do que eu. E os médicos famosos viam os resultados das ressonâncias magnéticas feitas com prata contra seus quadros de luz – mas não olhavam para mim. Alguns dos exames são medievais: agulhas espetadas pelo corpo, eletrodos no córtex cerebral, “estímulos” elétricos para ver se a partes do corpo respondem. Partes do corpo. Pastas e mais pastas sobre mesas com tampos de vidro. Colunas, crânio, córneas. Nos meus olhos, mesmo, ninguém olhava.

O diagnóstico de uma doença grave e incurável é um abismo no qual você é empurrado sem aviso. E sem pára-quedas. E se você ta esperando um “mas” aqui, sinto lhe informar, não tem. Não no meu caso. Não teve revelação divina. Não teve fé súbita em alguma coisa maior. Não teve uma compreensão mais apurada das dores do mundo. O que dá, assim, de cara, é raiva. Porque a vida já caminha na beirada do insuportável sem essa foice tão perto do pescoço. Porque já é suficientemente difícil estar vivo sem esta sentença se morte lenta e degradante. Dá vontade de acreditar em Deus, sim, mas só se for para encher Ele de porrada.

O problema é que uma raiva desse tamanho cansa, e o tempo passa. A minha doença não me define, porque eu não deixo. Ela gostaria muitíssimo de fazê-lo, mas eu não deixo. Fiz um combinado comigo mesma: essa merda vai ter 30% da atenção que ela demanda. Não mais do que isso. E segue o baile. Mas segue diferente, confesso. Segue com menos energia e mais remédios. Segue com dias bons e dias ruins – e inescapáveis internações hospitalares.

A neurologista que me acompanha foi escolhida a dedo: ela tem exatamente a minha idade, olha nos meus olhos durante as minhas consultas, só ri das minhas piadas boas e já me respondeu “eu não sei” mais de uma vez. Eu acho genial um médico que diz “eu não sei, vou pesquisar”. Eu não troco a minha neurologista por figurão nenhum.

O meu tratamento custaria algo em torno de R$12.000,00 por mês. Isso mesmo: 12 mil reais. “Custaria” porque eu recebo os remédios pelo SUS. Sabe o SUS?! O Sistema Único de Saúde? Aquele lugar nefasto para onde as pessoas econômica e socialmente privilegiadas estão fazendo piada e mandando o ex-presidente Lula ir se tratar do recém descoberto câncer? Pois é, o Brasil é o único país do mundo que distribui gratuitamente o tratamento que eu faço para Esclerose Múltipla. Atenção: o ÚNICO. Se isso implica em uma carga tributária pesada, eu pago o imposto. Eu e as outras 30.000 pessoas que tem o mesmo problema que eu. É pouca gente? Não vale a pena? Todos os remédios para doenças incuráveis no Brasil são distribuídos pelo SUS. E não, corrupção não é exclusividade do Brasil.

O maior especialista em Esclerose Múltipla do Brasil atende no HC, que é do SUS, num ambulatório especial para a doença. De graça, ou melhor, pago pelos impostos que a gente reclama em pagar. Uma vez a cada seis meses, eu me consulto com ele. É no HC que eu pego minhas receitas – para o tratamento propriamente dito e para os remédios que uso para lidar com os efeitos colaterais desse tratamento, que também me são entregues pelo SUS. O que me custaria fácil uns outros R$2.000,00.

Eu acredito em poucas coisas nessa vida. Tenho certeza de que o mundo não é justo, mas é irônico. E também sei que só o humor salva. Mas a única pessoa que pode fazer piada com a minha desgraça sou eu – e faço com regularidade. Afinal, uma doença auto-imune é o cúmulo da auto-sabotagem.

Mas attention shoppers: fazer piada com a tragédia alheia não é humor, é mau gosto. É, talvez, falha de caráter. E falar do que não se conhece é coisa de gente burra. Se você nunca pisou no SUS – se a TV Globo é a referência mais próxima que você tem da saúde pública nacional, talvez esse não seja exatamente o melhor assunto para o seu, digamos, “humor”.

Quem me conhece sabe que eu não voto – não voto nem justifico. Pago lá minha multa de três reais e tals depois de cada eleição porque me nego a ser obrigada a votar. O sistema público de saúde está longe de ser o ideal. E eu adoraria não saber tanto dele quanto sei. O mundo, meus amigos, é mesmo uma merda. Mas nós estamos todos juntos nele, não tem jeito. E é bom lembrar: a ironia é uma certeza. Não comemora a desgraça do amiguinho, não.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Veja revela porque combate a UNE




A edição mais recente do panfleto semanal da direita brasileira, a revista Veja, torna a desferir ataques contra organizações populares. Dessa vez, com calibre de menos intensidade. É verdade. O alvo torna a ser a União Nacional dos Estudantes (UNE), agora contestada por suposto mau uso dos recursos adquiridos junto ao governo federal para realizar algumas de suas atividades. A revista afirma inclusive que os recursos levantados foram gastos em bebedeiras e caprichos como notebooks e roupas de marcas.

Pouco específica na acusação, como não poderia deixar de ser, as pistas deixadas na matéria são suficientes para desmontar a leitura que ela sugere. Nas linhas mal traçadas da revista, cita-se duas atividades que teriam sido utilizadas para mascarar o gasto indevido de recurso público: a Caravana de Saúde e a Bienal de Cultura da entidade. Longe do que Veja propõem, essas atividades não tem nada de fantasmas. Ao contrário, foram algumas das maiores atividades realizadas pela entidade nos últimos anos. A primeira percorreu todos os estados da federação e mais o distrito federal. Já a segunda, ganhou o status de maior atividade de cultura da América Latina.

Quanto aos valores gastos, é possível que o observador mais atento não dê nem um piscar de olhos de surpresa caso conheça a magnitude dessas atividades. A Caravana, inclusive, tem um almanaque e um documentário como conservação dos registros dela. Um breve olhar nesses materiais por si só dão a entender que não se trata de um evento qualquer.

Mas quem acompanha a Veja sabe que nada disso preocupa seus editores. O que salta os olhos dos Civita’s – proprietários da editora cuja prensa sai a revista: a Abril - é saber que nessas atividades a UNE mobilizou e continua a aglutinar milhares de jovens em torno de um discurso que reivindica um Brasil forte, soberano e que cresça desenvolvendo plenamente as potencialidades do Brasil e dos brasileiros.

Isso até eles tentam, mas não conseguem esconder. Num boxe para lá de descarado, informam sobre a vitória de um grupo “apartidário” na última eleição do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UnB. Creditam a vitória do grupo ao fato de não apresentarem nenhuma postura ideológica e, logo adiante, informam que os novos dirigentes estudantis daquela universidade defendem investimentos privados na instituição. Nada mais sarcástico. Afinal, é a partir dessa iniciativa que os grupos políticos ligados a direita buscam tirar das universidades públicas o foco das demandas sociais, pois quando o mercado investe em pesquisa e desenvolvimento de tecnologias eles direcionam tais estudos para o seu hall de prioridades, que qualquer leigo sabe que são outras.

Os ataques contra a entidade máxima representativa dos estudantes brasileiros só reafirmam o que os estudantes de 95% das universidades brasileiras que participaram de seu último congresso sabem: a UNE é a entidade mais forte do movimento social no Brasil e em seu seio pulsam a inquietação e a rebeldia de milhares de jovens em busca de um país com e para todos. As lições da história dizem que vencer isso é impossível, daí o desespero da direita e dos Civita’s!

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Repúdio ao tribunal midiático no Brasil

Moção apresentada no Encontro Mundial de Blogueiros:


Nas últimas semanas, a mídia hegemônica mostrou mais uma vez suas garras. De forma inescrupulosa, se aproveitou de denúncias vazias para governar o país no grito.

Inconformados com o fato de terem perdido nas urnas a eleição presidencial, tentam impor uma agenda negativa para a nova presidente, tendo como foco a desmoralização dos quadros políticos que ocupam seu primeiro escalão. Com muito orgulho, os barões da mídia se vangloriam de ter derrubado o 6º ministro de estado em 10 meses de governo.

O alvo da vez foi o ex-ministro do Esporte Orlando Silva. Baseados em afirmações feitas por um homem com extensa ficha corrida na justiça, acionado por ter desviado milhões dos cofres públicos e que não apresentou nenhuma prova contra o ex-ministro, a mídia criou um tribunal de exceção para julgar e condenar publicamente Orlando Silva. Num primeiro momento, a presidente Dilma Rousseff resistiu à investida da mídia, mas não suportou a pressão e cedeu à chantagem midiática.

Ao se curvar, mais uma vez, aos interesses dos grandes conglomerados de comunicação e se pautar pela efemeridade das pesquisas de opinião, a presidente Dilma cria um perigoso precedente para a democracia brasileira e uma arapuca para o seu governo.

No primeiro caso, porque qualquer pessoa pública passa a ter o ônus da prova de sua inocência, violando um princípio Constitucional, e pode ser fuzilada no paredão da sanha reacionária. No segundo, porque a mídia e a elite conservadora que ela representa se sentem fortes para continuar a investida contra o seu governo. Já há, inclusive, os que apontam os próximos alvos. Engana-se a presidente se ela acredita que adotando uma postura subserviente à mídia ela estará fora do alcance dos seus fuzis.

Nessa guerra midiática, a estratégia da mídia e das elites é desmoralizar os partidos que compõe a base do governo e seu primeiro escalão com o objetivo de enfraquecer a presidente, que pode ser o próximo alvo.

Este episódio só fortalece a necessidade de o Brasil discutir urgentemente um marco regulatório para as comunicações. A mídia ataca os que defendem a regulação porque tem o monopólio da capacidade de gerar escândalos – mesmo que a partir de fatos que não os justifiquem – ou de abafá-los, quando lhes interessa. O país não pode mais ser refém das vontades políticas das poucas famílias que controlam 80% do conteúdo dos meios de comunicação. Só por meio da regulação é possível garantir a liberdade de expressão para todos, ampliar o pluralismo e a diversidade da comunicação brasileira.


Fonte: Blog do Miro

Um olhar sobre o I Encontro Mundial de Blogueiros




O I Encontro Mundial de Blogueiros, realizados entre 27 e 29 de outubro, em Foz do Iguaçu, levantou uma série de elementos para o debate sobre os rumos da humanidade e a problemática que gira em torno da distribuição de informação e notícias mundo afora. Além disso, o evento em si foi marcado por uma das maiores polêmicas debatidas sobre a internet, que é a censura nesse ambiente cuja vocação é a liberdade e a diversidade na elaboração e oferta de conteúdo.

A iniciativa foi desenvolvida com a repercussão do II Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, realizado em junho, em Brasília. A partir daquela atividade - que contou com a presença do ex-presidente Lula e do Ministro das Comunicações Paulo Bernardo -, a atenção dada à blogosfera progressista elevou-se substancialmente. Vários órgãos passaram a convocar blogueiros para coletivas de imprensa e outras atividades, a fim de contribuir com abordagens diversas sobre o que a velha mídia dissemina a partir apenas do “pensamento único”.

Dentro desse novo fenômeno, a usina binacional de Itaipu surgiu com a iniciativa de patrocinar um encontro mundial para fortalecer essa resistência em escala maior. Segundo seus representantes, o interesse se dá porque a própria empresa já foi vítima da cobertura tendenciosa da mídia tradicional, que repercutia os interesses de alguns grupos econômicos, interessados em desestabilizar seu funcionamento e abrí-la para a iniciativa privada. Uma das acusações infundadas do Partido da Imprensa Golpista (PIG), por exemplo, era de que a área onde a usina está situada servia também para esconderijo de guerrilheiros.

E, pelo que foram os três dias de evento, pode-se dizer que correspondeu ou até superou as expectativas. Chamados para dar cores a idéia, membros do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé e Altercom construíram uma programação impecável. A rebeldia que contesta os conglomerados de mídia em escala mundial esteve presente na atividade. O porta-voz do Wikileaks, Kristtin, o criador do jornal Le Monde Diplomatique, Ignácio Ramonet, o jornalista Pepe Escobar, alguns dos protagonistas da “Primavera Árabe”, o colaborador da Lei dos Medios na Argentina, o ex-ministro das Comunicações da Venezuela e a atual titular da pasta no Peru, blogueiros brasileiros e muitos outros aprofundaram o debate sobre a necessidade de marcos regulatórios da comunicação que contemplem a diversidade e citaram vários casos de manipulação e omissão da mídia hegemônica em pautas importantíssimas.

O público presente foi digno do banquete ali apresentado. Blogueiros de 17 estados do Brasil e de 23 países, além dos estudantes da Unila, acompanharam atenciosamente toda a programação e deram sua contribuição para a qualidade das discussões com perguntas e conclusões que ajudaram a jogar mais luz em temas que passam ao largo da opinião pública.

Como saldo, fica a unidade da luta dos blogueiros em âmbito internacional por pautas que os unificam. A reafirmação da liberdade de expressão, a aprovação de marcos regulatórios da comunicação que garantam a diversidade no espectro da radiodifusão, a garantia da liberdade de elaboração e difusão de conteúdos na internet etc., são temas que devem ganhar mais força dentro das reivindicações sociais daqui por diante.

Auto-crítica

Um dos pontos baixos do encontro, reconhecido inclusive pelos organizadores, foi a falta de um momento para propiciar o debate entre os participantes. O único momento que tiveram para intervir foi durante os painéis, quando mandavam perguntas por escrito. Isso inviabilizou a troca de experiências entre o público e deixou de lado importantes contribuições para os temas abordados.

Encontro censurado

O Encontro Mundial de Blogueiros foi vítima de censura na rede social Twitter. A hastag #BlogMundoFoz, criada para divulgar o evento e repercuti os assuntos debatidos, foi twittada milhares de vezes pelos mais de 500 participantes durante os três dias da atividade e em nenhum momento perfilou-se nos Trending Topic’s, os assuntos mais comentados na rede. Pepe Escobar, que participou somente de uma das mesas da atividade e foi bem menos citado que a tag do evento, entrou nos TT’s por mais de uma hora.

Censurar assuntos conforme a conveniência de grupos econômicos e políticos de direita tem sido comum na internet. Durante as semanas que o PIG combateu o ex-ministro dos esportes Orlando Silva, a União da Juventude Socialista (UJS) lançou um twittaço com a tag #SouOrlandoSouBrasil e teve que usar da criatividade para não ver sua campanha ir por água a baixo. Muitos jovens tiveram seus perfis travados e, em outra ocasião, a própria tag foi travada e ninguém conseguia twittar com ela.

Um dos casos mais alarmantes sobre isso ocorre com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc’s), cuja página oficial na rede não pode ser acessada no Brasil.

Limites da internet para as pautas do movimento social

Dentre algumas das avaliações feitas pelos participantes e organizadores do encontro, uma das que mais chamaram atenção foi a conclusão sobre os encaminhamentos para regulamentarem a comunicação no Brasil. O presidente do Barão de Itararé, Altamiro Borges, encerrou o evento dizendo que “as conquistas populares se dão com o povo na ruas. Não será meia dúzia de blogueiros que farão pressão suficiente para aprovarmos o marco regulatório da comunicação”.

sábado, 29 de outubro de 2011

Organizados em encontro mundial, blogueiros aprovam Carta de Foz do Iguaçu

Confira a íntegra da "Carta de Foz do Iguaçu", aprovada por blogueiros de 17 estados brasileiros e de 23 países durante o I Encontro Mundial de Blogueiros Progressistas:


O 1º Encontro Mundial de Blogueiros, realizado em Foz do Iguaçu (Paraná, Brasil), nos dias 27, 28 e 29 de outubro, confirmou a força crescente das chamadas novas mídias, com seus sítios, blogs e redes sociais. Com a presença de 468 ativistas digitais, jornalistas, acadêmicos e estudantes, de 23 países e 17 estados brasileiros, o evento serviu como uma rica troca de experiências e evidenciou que as novas mídias podem ser um instrumento essencial para o fortalecimento e aperfeiçoamento da democracia.
Como principais consensos do encontro – que buscou pontos de unidade, mas preservando e valorizando a diversidade –, os participantes reafirmaram como prioridades:

- A luta pela liberdade de expressão, que não se confunde com a liberdade propalada pelos monopólios midiáticos, que castram a pluralidade informativa. O direito humano à comunicação é hoje uma questão estratégica;

- A luta contra qualquer tipo de censura ou perseguição política dos poderes públicos e das corporações do setor. Neste sentido, os participantes condenam o processo de judicialização da censura e se solidarizam com os atingidos. Na atualidade, o WikiLeaks é um caso exemplar da perseguição imposta pelo governo dos EUA e pelas corporações financeiras e empresariais;

- A luta por novos marcos regulatórios da comunicação, que incentivem os meios públicos e comunitários; impulsionem a diversidade e os veículos alternativos; coíbam os monopólios, a propriedade cruzada e o uso indevido de concessões públicas; e garantam o acesso da sociedade à comunicação democrática e plural. Com estes mesmos objetivos, os Estados nacionais devem ter o papel indutor com suas políticas públicas.

- A luta pelo acesso universal à banda larga de qualidade. A internet é estratégica para o desenvolvimento econômico, para enfrentar os problemas sociais e para a democratização da informação. O Estado deve garantir a universalização deste direito. A internet não pode ficar ao sabor dos monopólios privados.

- A luta contra qualquer tentativa de cerceamento e censura na internet. Pela neutralidade na rede e pelo incentivo aos telecentros e outras mecanismos de inclusão digital. Pelo desenvolvimento independente de tecnologias de informação e incentivo ao software livre. Contra qualquer restrição no acesso à internet, como os impostos hoje pelos EUA no seu processo de bloqueio à Cuba.

Com o objetivo de aprofundar estas reflexões, reforçar o intercâmbio de experiências e fortalecer as novas mídias sociais, os participantes também aprovaram a realização do II Encontro Mundial de Blogueiros, em novembro de 2012, na cidade de Foz do Iguaçu. Para isso, foi constituída uma comissão internacional para enraizar ainda mais este movimento, preservando sua diversidade, e para organizar o próximo encontro.